Foram anos trabalhando lado a lado. Ambas empresas cresceram juntas. Colossus Agro, em pouco mais de uma década, consolidou-se como um dos principais fabricantes de máquinas agrícolas do país, conquistando parcela significativa do mercado. Já a Campo Forte atuava como sistemista, fornecendo sistemas de transmissão para as lâminas de corte das máquinas fabricadas pela Colossus Agro. 

As empresas cresceram juntas. A Campo Forte começou fornecendo itens isolados e, com o tempo, avançou na cadeia de valor, oferecendo soluções mais completas, o que exigiu investimentos significativos em engenharia e tecnologia. 

O rápido crescimento da Colossus Agro e sua recente expansão para a América Latina trouxeram mudanças inesperadas e decisivas: a verticalização da produção, com a absorção da fabricação de diversos componentes e sistemas, incluindo o sistema para lâminas de corte, até então fornecidos pela Campo Forte. A transição seria rápida e, para surpresa de muitos, um comunicado foi enviado aos seus fornecedores apenas seis meses antes da mudança. Um aviso prévio devastador para os negócios de vários fornecedores.

O caso relatado é dramático e ilustra um cenário que pode atingir qualquer organização. Mudanças abruptas, como no caso relatado acima, ou grandes transições econômicas e governamentais, são circunstâncias imprevisíveis e fora do alcance das organizações. 

Esses imprevistos, muitas vezes distantes ou improváveis, reforçam a importância de estar sempre preparado, independentemente das variáveis externas que escapam ao nosso controle. Planejar financeiramente e adotar estratégias sólidas que reduzam a dependência de um único cliente, ao mesmo tempo em que se constrói uma base de receita diversificada, são medidas essenciais para garantir a adaptação, absorção de impactos e continuidade sustentável do negócio, seja qual for a sua natureza.

Mudanças assim podem ocorrer subitamente. Por isso, a preparação para enfrentar tais circunstâncias e a capacidade de transformar desafios em oportunidades para crescer e evoluir, mesmo em meio ao caos, é o caminho prudente para quem age de forma verdadeiramente profissional. Vivemos em tempos de grandes transformações e instabilidade, que, embora tragam oportunidades ímpares, também apresentam riscos imprevisíveis.

Sabemos que essa preocupação é uma realidade de quem está exposto a esse tipo de risco. Não se trata apenas de procrastinar decisões ou ignorar os fatos. Quando essa dependência está enraizada na organização, buscar a diversificação, sem comprometer a qualidade das entregas para o cliente principal, torna-se um desafio monumental. Contudo, somente a persistência, resiliência e determinação são capazes de transformar esse cenário. 

Em um contexto assim, a preparação estratégica deve equilibrar um fluxo de caixa sólido com liquidez financeira para garantir resiliência. As lições aprendidas e a importância de estar preparado para imprevistos deixam claro que:

O fluxo de caixa e a liquidez financeira são vitais para a saúde financeira de qualquer organização. Manter um colchão financeiro de no mínimo 6 meses para as despesas operacionais garante fôlego para reagir a mudanças contratuais abruptas ou imprevistos que possam surgir no mercado. 

Outro aspecto importante é o monitoramento constante da liquidez. Avaliar a capacidade de honrar as dívidas de curto prazo envolve uma análise contínua do capital de giro. Investir em uma gestão de caixa eficiente, que leve em conta a agilidade no recebimento de valores e a negociação de prazos com fornecedores, é fundamental para garantir a liquidez sem comprometer o caixa. 

Outra questão importante é a utilização de ferramentas de automação financeira, como ERPs ou plataformas de gestão, que podem otimizar esse acompanhamento, oferecendo uma visão clara e em tempo real da saúde financeira do negócio.

Buscar a diversificação progressiva da receita, identificando novos mercados e clientes, além de desenvolver novos produtos e serviços complementares para ampliar a oferta. 

É fundamental criar parcerias estratégicas que expandam o alcance comercial, abrindo novas possibilidades sem grandes investimentos iniciais.

É recomendável revisar os contratos, estabelecendo acordos de longo prazo e, simultaneamente, garantir melhores condições de pagamento mais favoráveis, evitando desequilíbrios no fluxo financeiro. Por outro lado, é essencial diversificar fornecedores e negociar prazos para ajustar os compromissos financeiros, proporcionando maior flexibilidade.

Uma gestão rigorosa da movimentação de caixa é essencial para garantir previsibilidade financeira. Monitorar entradas e saídas diárias, além de negociar prazos de pagamentos mais longos, com fornecedores habituais, são práticas recomendadas quando o objetivo é remodelar a estrutura de dependência da empresa ou se resguardar para momentos de crise.

Buscar diferenciação tecnológica para agregar valor, automatizar processos, reduzir custos e aprimorar a gestão de estoques é outra frente de trabalho indispensável para garantir a competitividade e eficiência a longo prazo.

E, é claro, manter uma estrutura enxuta, compartilhando os objetivos estratégicos com os times são práticas essenciais para garantir o alinhamento e a agilidade nas decisões.

Essas práticas são válidas para empresas de todos os portes. Embora os desafios possam variar dependendo do tamanho da estrutura, os princípios permanecem os mesmos. No caso de pequenas e médias organizações, a flexibilidade e o alinhamento rápido com as equipes são essenciais para se adaptar às mudanças. Já para grandes corporações, essas práticas são fundamentais para manter a coesão e a eficiência em uma estrutura mais complexa. 

A chave para o sucesso está na capacidade de equilibrar esses aspectos e tomar decisões que garantam resiliência e sustentabilidade. Essas estratégias podem ser ajustadas conforme a realidade e as necessidades específicas de cada empreendimento, mas sempre com foco na otimização de desempenho, na gestão e na criação de valor.

Fluxo de caixa e diversificação: alongar, cortar ou reduzir riscos. Um tripé estratégico essencial para empresas que buscam não apenas a sustentabilidade, mas também o crescimento sólido e a proteção contra volatilidades. No médio e longo prazos, a gestão eficiente do fluxo de caixa, aliada à diversificação de fontes de receita e à mitigação de riscos, oferece uma base robusta para a expansão. O segredo é equilibrar a geração de caixa imediata com investimentos estratégicos que assegurem a resiliência financeira e o posicionamento competitivo da organização.

Fontes: Metodologia proprietária Otimiza Consultoria; Vivência nas organizações; Literatura de gestão empresarial diversas.

“O(s) nome(s) mencionado(s) é (são) fictício(s), utilizado(s) com o propósito de preservar a identidade do(s) envolvido(s) e suas organizações.